SOU CATÓLICA, APOSTÓLICA, ROMANA… SOU CRISTÃ!

Nasci numa família cristã, onde a prática dos rituais da Igreja Católica era constante, entretanto, sem o hábito da leitura da Bíblia. Cresci rezando o terço, indo às missas aos domingos e dias santos, cumprindo os sacramentos nas épocas sugeridas pela igreja, tais como, Batismo, Primeira Eucaristia, Crisma e Matrimônio. Lembro-me que a Crisma não foi celebrada por mim porque me casei muito cedo e acabei substituindo-a pelo sacramento do Matrimônio.

A minha vida sempre foi abençoada por Deus e hoje, aos cinquenta e nove anos de idade, às vésperas de me tornar uma sexagenária, percebo claramente a missão que ELE me reservou: evangelizar através da palavra, restaurando a família. Para isso criou um cenário favorável ao longo da minha vida, a fim de que essa missão evangelizadora pudesse ser posta em prática.

Precocemente formei a minha família, aposentei-me do trabalho e desenvolvi de forma diferenciada o desejo de ser voluntaria do bem, pois queria muito ser uma transformadora de vidas. Talvez ajudada pela oportunidade de conviver com vários tipos de religião, respeitando suas crenças, sem, contudo, nunca ter me afastado da igreja Católica, Apostólica, Romana.

A Bíblia Sagrada era mantida na casa dos meus pais em local de destaque, aberta em página colorida, porém, nunca lida! Um dia, organizando a pequena biblioteca que mantemos em casa, chamou-me a atenção uma Bíblia Evangélica com oferecimento carinhoso de um homem de bem, de muita fé, que fora cliente do Programa de Microcrédito do Banco do Nordeste, denominado de CrediAmigo, o qual foi coordenado por mim, quando funcionária daquela instituição. Na verdade, foi um presente do primeiro grupo solidário formado em João Pessoa e talvez por essa razão sempre fosse lembrado muito mais do que como um simples presente, pois representava o registro de uma das coisas que deram certo na minha vida profissional, que muito me orgulho por ter contribuído efetivamente com o desenvolvimento das famílias pobres. O trabalho foi realizado juntamente com as equipes de jovens que foram capacitados para a contratação de crédito para capital de giro de pequenos negócios, cuja taxa de juros cobrada era bem abaixo do valor de mercado.

Na Bíblia, uma dedicatória que me fez guardá-la como uma relíquia: “Maristela, desejamos que a estrela maior, o Deus feito carne, seja sua força nos embates da vida. Do Grupo Ebenezer”. Desde pequena que ficava envaidecida quando ouvia a minha mãe dizer que o meu nome Maristela era Estrela do Mar e aquela dedicatória fazia me lembrar desse sentimento, tão bem guardado no meu coração.

Numa outra oportunidade, tive a necessidade de distribuir um saldo de bíblias que foram doadas por um empresário evangélico, para que fossem vendidas a fim de que o valor apurado fosse utilizado para suprir as necessidades financeiras em evento realizado em prol de um grupo de 150 jovens interactianos, do Rotary Club International. Percebi que havia guardado um exemplar de lembrança, talvez para não esquecer aquela etapa importante da minha vida, quando fazia parte de um clube de serviço focado na realização de trabalhos sociais em favor de comunidades carentes. Tinha, portanto, uma gaveta especial, cheia de palavras de Deus… não lidas!

Em 2009, resolvi ler pela primeira vez a Bíblia e escolhi pelo tamanho da letra e da Bíblia, ou seja, letra grande e livro pequeno. Muito longe do modelo da Bíblia Sagrada que aprendi a respeitar na casa dos meus pais: letra grande, mas um livro enorme. Não sabia como começar! Finalmente, decidi fazer uma leitura cuidadosa das orientações contidas nas últimas páginas e seguindo à risca, consegui ler a Bíblia pela primeira vez na minha vida no prazo de um ano, na versão evangélica!

A princípio achei Gênesis muito cansativo e o Velho Testamento muito duro… olho por olho, dente por dente! Adorei o Novo Testamento, onde Jesus fala a língua dos homens de forma branda, com realce para o perdão e o amor. Relacionei os 10 Mandamentos e distribui cópias em lugares de fácil acesso para reflexão das atitudes diárias, com o objetivo de cumprir a Lei de Deus. Destaquei os dois mandamentos ressaltados por Jesus: Amar a Deus e Amar ao próximo. Ponto.

No ano seguinte (2010), reli apenas o Novo Testamento. Cada vez mais me enchia das palavras de Jesus e assumia o compromisso de ser melhor do que fora no dia anterior. No terceiro ano (2011), reli a mesma Bíblia, de letra grande e livro pequeno, dessa vez, com a ajuda do livro Pão Diário.

O Pão Diário foi um presente de um casal evangélico que acabou se distanciando das nossas relações. Comecei a ler quando já não éramos amigos. Naquele momento eu já estava procurando praticar os dois mandamentos destacados por Jesus e queria aprender a amar ao próximo, apesar das diferenças. Foi através do livro Pão Diário que comecei a compreender melhor a palavra de Deus; seguindo suas orientações, a Bíblia foi transformando a minha vida pela oportunidade de traduzir as suas mensagens, de forma simples e prática, introduzindo, inclusive, nas minhas orações todas as pessoas com quem não mantinha relacionamento fraterno, mantendo dentro da Bíblia os nomes dessas pessoas, para quem comecei a orar diariamente. Acho que foi a forma encontrada para agradecer ao casal pela doação do Pão Diário… coisas de Deus que sabe tudo!

Ao final do ano de 2011, percebi com alegria que já não cabia no meu coração sentimentos negativos para com ninguém! Isso me fez um bem enorme, pois sentia que estava sendo capaz de amar ao próximo, na sua plenitude.

Um dia, olhando para o meu acervo de Bíblias Sagradas, observei que todas as literaturas utilizadas eram na versão evangélica, com exceção de uma Bíblia enorme, igual aquela que havia na casa dos meus pais. Resolvi comprar uma versão católica, que fosse letra grande e livro pequeno. Junto com ela, trouxe a “Palavra e Vida 2012” que trata do evangelho comentado cada dia. É como se tivesse participando de missa diária, através da leitura do evangelho do dia.

Antes de iniciar a leitura da nova Bíblia adquirida, resolvi folhear a de tamanho maior e a emoção foi imensa ao encontrar uma dedicatória especial da nossa filha Kalline, em nome de toda a família: “Esta BÍBLIA SAGRADA pertence a toda a nossa família representada pela universitária mais linda e especial desse mundo!!! Para Mainha com amor.” Quem teve o privilégio de conhecer os nossos filhos, tem a capacidade de reconhecer como  expressam os seus sentimentos do jeito muito especial.. Kalline era estudante de psicologia e desde aquela época já prometia ser a profissional comprometida que seria com as causas sociais em todos os sentidos. Folheando a Bíblia, encontrei mais uma declaração de amor: “Mainha, que a sabedoria que vem de Deus abençoe a você, para que cada vez mais possa nos surpreender com tanto motivo para te admirar cada vez mais. Você é linda! Parabéns!”. Muito emocionada, resolvi abrir a Bíblia no local que estava marcada com uma fita vermelha e lá estava a seguinte mensagem: “Mainha, Pedi a Deus que mostrasse algo importante para você! Ele, fiel e imediato me fez abrir nesta página, para minha surpresa e alegria. Nunca esqueça: Esta Bíblia deve ser sublinhada, estudada, vivida por todos desta casa”. E lá estava o Livro da Sabedoria pronto para ser lido, compreendido, aprendido, posto em prática. Naquele momento fiquei sem entender como poderia ter esquecido de tanta coisa importante sobre a Bíblia e o porque de não ter feito a leitura de imediato. É que Deus sabe tudo e o tempo dele é diferente do nosso. Naquela época eu estava muito envolvida com o meu trabalho no Banco do Nordeste, cuidando da educação dos nossos filhos e acolhendo os nossos primeiros netos. Tinha que ser naquela hora! O momento de praticar a palavra de Deus exige disponibilidade de tempo já que o desejo de compartilhar vem junto. E, assim, no dia 28/02/2012, dia do aniversário do nosso neto nº 5, Fernando, decidi ler a Bíblia Sagrada, em tamanho enorme, com letras grandes. E o fiz, iniciando pelo primeiro livro Gênesis.

 

MEU DESPERTAR

Ao longo da minha vida tenho buscado conhecer a palavra de Deus através dos outros.  A leitura da primeira Bíblia foi uma descoberta maravilhosa. Li três vezes em três anos a versão evangélica. Tentei por diversas vezes ler a versão católica e sempre era interrompida. Já estava duvidando se Deus estava me mostrando a “sua” religião, mas com o aprofundamento da palavra compreendi que o entendimento da palavra de Deus será sempre interrompido porque o caminho para Ele não é tão fácil mesmo.

Algum tempo vinha me preparando para escrever um livro sobre as minhas experiências baseadas com a leitura da sagrada escritura! Os “rabiscos” já se avolumavam pedindo uma providência, entretanto, não me sentia preparada. Precisava conhecer mais sobre as coisas de Deus. Minhas orações e leituras diárias não me deixavam pronta para tomar a decisão.

Um belo dia, chegaram os calafrios, febre alta, dores de cabeça insuportáveis, dores no corpo inteiro. Era a dengue que chegava e me derrubava. Estava realizando a terceira versão da Colônia de Férias com os nossos netos. Foi necessário interromper e devolver as crianças para os seus pais, nossos filhos, pois a dengue exigia repouso absoluto!

Passados os primeiros dias de repouso, talvez incentivada pelo clima do tema que fora escolhido para a Colônia de Férias interrompida – Colônia de Férias Literária – resolvi ler alguns livros que estavam “arquivados” aguardando uma oportunidade: “Jesus, o Homem mais Sábio que já existiu”; “Jesus, o maior Psicólogo que já existiu”; “Soluções de Deus”; “Quem é Jesus”; “Cure o sue coração”; “Superdicas para motivar sua vida a vencer desafios”.

Ao concluir a leitura de “Soluções de Deus”, tomei a decisão de escrever. A forma incentivadora, adotada pelo autor me convenceu. “Aceite o convite. Precisamos do que você escreve… Deixe sua vida ser o seu primeiro rascunho. Você nunca escreverá melhor do que a vida que leva. Precisamos do seu melhor livro. Precisamos que você escreva”. 

”Ter a intenção de escrever não é escrever. Pesquisar não é escrever. Dizer às pessoas que você quer escrever não é escrever. Escrever é escrever”.

Para escrever um livro é necessário entregar os manuscritos a um editor. Na época, não conseguia enxergar outro que não fosse o meu cunhado, Evandro Nóbrega, irmão de sangue e amigo do coração do meu esposo. Não importava que ele não se considerasse cristão. Ele sempre foi uma pessoa íntegra, boa de coração e isso bastava. Ter a sua participação na revisão dos meus manuscritos passou a ser indispensável, principalmente pela sua visão do mundo, pelo seu perfil crítico, pela sua responsabilidade por tudo que abraça. A questão era: como fazer para ele abraçar e aceitar o desafio de editar uma obra escrita por mim, falando de Deus? Eu sabia que se ele lesse os manuscritos aceitaria e que, instintivamente, passaria a fazer o que precisava ser feito para deixar a minha obra completa. Eu precisava de suas “tintas vermelhas” revisando o texto, redirecionando as idéias para atender a idéia central, como diria Max Lucado, autor do livro Soluções de Deus e para isso cheguei a entregar a Edivaldo os primeiros rabiscos, meus primeiros manuscritos. Enquanto isso, continuei juntando pedaços de histórias divinas distribuídas em várias agendas para composição total do meu primeiro livro.

O tempo é uma benção na vida da gente, pois somente ele é capaz de mostrar os caminhos mais acertados de serem percorridos, principalmente, quando no meio do caminho estamos tratando das coisas de Deus. De repente, raciocinei… Por que  escrever um livro se disponho de um blog, com espaço para acolher todos os meus escritos? Pensando assim, abrimos um espaço especial para compartilhar o meu amor por Deus e pela Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José. IMG_0063